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Como fidelizar cliente: ele volta pelo que sentiu

Por Victor Reis · 6 min de leitura

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Foto: Polina Zimmerman · Pexels

Você tem um lugar fixo para alguma coisa. O mecânico, a padaria, o profissional que cuida do seu cabelo ou da sua unha, o restaurante que você escolhe antes de olhar o cardápio dos outros. Paga ali, mesmo sabendo que existe opção mais barata duas ruas adiante.

Pergunte a si mesmo por que. A resposta que vem primeiro quase nunca é sobre preço, e quase nunca é sobre a qualidade técnica do serviço, que é onde a maioria procura a fórmula de fidelizar cliente. É sobre como você se sentiu da última vez que saiu de lá.

Isso não é sorte de ter caído num bom profissional. É um mecanismo específico, e ele tem nome.

O cliente nem sempre sabe por que volta

Quem atende clientes costuma procurar a explicação no lugar errado: um preço mais justo, um produto melhor, um atendimento mais rápido. Tudo isso importa, mas nenhum desses pontos explica por que alguém escolhe voltar quando existe opção mais barata do lado.

O cliente que volta sem saber dizer o motivo não está sendo irracional. Está reagindo a algo que o corpo registrou antes de a cabeça ter chance de justificar. E o que o corpo registra primeiro é estado emocional, não preço.

Pense em quem já trocou de fornecedor por uns reais de economia e, meses depois, voltou para o antigo mesmo pagando mais. A explicação que a pessoa dá costuma ser vaga: "lá era diferente", "aqui eu me sinto melhor atendido". Vaga porque o que decidiu a volta não foi um argumento, foi uma sensação que ela nem tentou traduzir em palavras.

O que fica colado ao seu nome

Na PNL, isso tem explicação e tem nome: âncora. Um estímulo que se liga a um estado emocional por repetição, e que depois passa a disparar aquele mesmo estado sozinho, sem esforço nenhum da pessoa para sentir de novo.

Funciona como aquela música que muda seu humor em dois segundos, antes mesmo de você lembrar em que show ou em que fase da vida ela tocava pela primeira vez. Ou como a voz de alguém que, só de ligar o telefone, já muda o seu estado antes de dizer qualquer frase.

O estímulo pode ser quase qualquer coisa: um toque, uma palavra, um cheiro, um jeito de encerrar uma conversa. E pode ser o seu nome.

Quando o cliente sente algo bom num atendimento e, naquele mesmo instante, o nome de quem o atendeu está presente (dito em voz alta, escrito na embalagem, lembrado na despedida), o nome vira o estímulo. Da próxima vez que ele aparecer, mesmo fora de contexto, uma parte daquele estado volta junto.

Isso não acontece numa vez só, igual a um interruptor que liga para sempre. É repetição: o mesmo estímulo, ligado ao mesmo tipo de estado, em contatos diferentes, até o vínculo ficar firme.

Uma vez cria uma lembrança boa. Várias vezes, no mesmo padrão, criam uma âncora de verdade, que dispara sozinha, sem o cliente precisar se esforçar para lembrar de nada.

Um atendimento correto que não fideliza

Existe um tipo de atendimento que não erra em nada e, ainda assim, não fideliza ninguém. É o atendimento tecnicamente certo que nunca chega a um pico de estado, ou que chega e ninguém faz nada ali.

A pessoa foi bem atendida, resolveu o problema, pagou, saiu satisfeita o suficiente para não reclamar. Satisfeita o suficiente para não reclamar não é o mesmo que satisfeita o bastante para voltar. E, sem nada marcado num momento alto, o cliente fica livre para decidir pelo preço na próxima vez, porque não existe mais nenhuma outra coisa puxando ele de volta.

Imagine dois estabelecimentos lado a lado, com o mesmo produto e o mesmo preço. Um entrega o serviço e encerra ali. O outro entrega o mesmo serviço e, no instante em que o cliente está mais satisfeito, repete algo que só aquele lugar faz daquele jeito.

No papel, os dois atenderam igual de bem. Na cabeça do cliente, só um deles aconteceu de verdade.

O momento em que isso se decide

Isso apareceu numa aula da Formação em PNL, quando uma aluna que atende presencialmente, na área de beleza e cuidado do corpo, contou como já fazia isso sem ter o nome técnico para aquilo. O momento que ela escolhia não era o começo do atendimento.

Era o fim: a cliente já estava pronta, se olhando, no ponto mais alto de humor daquele encontro inteiro. Era ali, e só ali, que ela repetia a mesma frase e o mesmo gesto, sempre daquele jeito, para aquela cliente.

Não no meio do atendimento, quando a atenção está dividida entre o serviço e a conversa. No pico.

O mesmo princípio aparece em quem vende imóvel. Uma corretora aprendeu a ligar a visita a algo que o cliente já ama de verdade: pede para ele descrever um momento em que sentiu algo bom, deixa a pessoa reviver aquilo na frente dela, e só então amarra a visita a essa mesma sensação.

O estímulo nem precisa ser o nome de quem atende. Pode ser um detalhe do próprio ambiente. O que não muda é o momento: sempre no auge do estado, nunca no meio dele.

Antes de ancorar o estado de outra pessoa, vale a pena saber acessar o seu próprio: é a mesma ferramenta, usada em você primeiro.

O que repetir em cada contato

O movimento exige atenção, mas é simples de descrever: ao encerrar qualquer contato, presencial, por telefone ou por mensagem, perceba o instante em que a pessoa está mais satisfeita com aquela conversa específica. Nem sempre é o fim cronológico. Às vezes é um comentário no meio que já levantou o humor dela, e o contato continua depois.

Encontrado esse instante, repita ali, e só ali, o que é sempre seu: o seu nome dito de um jeito reconhecível, uma frase de despedida que você usa com todo mundo, um gesto específico. Pelo WhatsApp, pode ser até o mesmo áudio de encerramento, com a mesma entonação.

O erro mais comum é espalhar esse mesmo gesto do início ao fim do contato, o tempo inteiro. Aí nada fica marcado. Tudo vira ruído de fundo, e nenhum momento específico carrega o estado bom para a próxima vez que o cliente pensar em você.

Aprenda a trabalhar estado e âncora na prática, não só na teoria

Conhecer a Formação em PNL

Isso é parte do que se trabalha no bloco de âncoras da Formação em PNL, com encontros semanais ao longo de um ano para a prática virar repetição, e a repetição virar automática de verdade, que é como se fideliza cliente de verdade. O grupo tem acesso direto ao Victor.

O cliente não lembra o que você disse no meio do atendimento. Lembra o que sentiu no fim.

A conexão que decide se o cliente compra de você acontece antes da venda. A que decide se ele volta acontece depois, no instante em que você já entregou o que prometeu e ele está satisfeito o bastante para ir embora feliz.

Desconto compete com qualquer concorrente que baixar o preço amanhã. Um estado bem marcado não compete com nada: ele só é lembrado.

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