VICTOR REIS

Como fechar contrato sem forçar o cliente

Por Victor Reis · 7 min de leitura

Capa do artigo: Como fechar contrato sem forçar o cliente

Foto: cottonbro studio · Pexels

Era terça, a aula online já passava de uma hora, e eu parei no meio da própria frase para pedir que colocassem a carne para esquentar. Quem dá aula de dentro de casa sabe como é.

O que apareceu nos cinco minutos seguintes respondeu, sem querer, a pergunta que mais me chega de quem vive do próprio serviço: como fechar contrato sem forçar.

Voltei para o exemplo. Eu estava mostrando como uma frase prende uma coisa na outra dentro da cabeça de quem escuta, e por que essa ligação precisa ser construída por degraus.

Foi aí que o Rodrigo pediu a palavra. Ele faz a formação e vive de vender o próprio serviço.

Abriu assim: não é dúvida, é que eu fiz um atendimento hoje.

E emendou uma coisa que eu acho mais bonita do que o resultado: às vezes eu uso e não lembro o nome da ferramenta.

Traduzindo. Ele conduziu uma conversa de trabalho, naquele mesmo dia, usando uma coisa aprendida numa aula recente. Sem conseguir nomear o que estava fazendo. E, no fim da conversa, quem perguntou quanto custava foi o cliente.

Ninguém empurrou nada. E é aí que mora a resposta.

A formação em PNL trabalha a conversa, que é onde a venda do seu próprio serviço trava.

Conhecer a formação

Como fechar contrato sem forçar: o sim já existia antes da pergunta

O que aconteceu naquela conversa não teve mágica nem talento.

O Rodrigo não começou falando do trabalho dele. Começou falando do problema do outro, com as palavras do outro, e devolvendo a dor exatamente como tinha escutado.

Só depois disso ele ligou a decisão do cliente àquilo que o cliente já queria proteger. Uma frase só, no formato de quando você decidir agir, você protege mais o que importa para você.

Repare que não tem promessa, não tem pressão e não tem oferta ainda. Tem uma ponte.

É onde o cliente se sente visto.

Quando o cliente se sente visto, ele para de se defender. E quem não está se defendendo consegue pensar no problema em vez de pensar em você.

O intervalo é a notícia, não o fechamento

Fechamento de contrato acontece todo dia em todo lugar. O que me chamou a atenção na fala do Rodrigo foi o relógio.

A objeção que eu mais escuto sobre estudar comunicação é essa: isso deve levar anos até eu conseguir usar.

Não leva. O Rodrigo usou antes de saber o nome do que estava usando.

Talento raro não explica o que aconteceu. A formação persegue exatamente isso desde a primeira aula: que a coisa entre em uso antes de o curso acabar. Um movimento de linguagem aprendido numa aula de terça aparece na conversa de trabalho da pessoa nos dias seguintes, muitas vezes sem ela perceber na hora.

O que leva anos é outra coisa. É a fluência, é o repertório, é saber qual movimento usar em qual pessoa. Isso sim se constrói devagar, com prática corrigida.

Mas o primeiro resultado não espera a fluência chegar.

Por que forçar fecha a porta que estava abrindo

Empurrar parece atalho. É o caminho mais longo que existe, e tem explicação.

  • O cliente sabe o que você está fazendo: em 1994, Marian Friestad e Peter Wright publicaram no Journal of Consumer Research um modelo sobre o conhecimento que as pessoas têm de persuasão. A tese é simples e incômoda: o consumidor desenvolve um saber próprio sobre as táticas de quem quer convencê-lo, e usa esse saber para se defender. No segundo em que ele identifica a manobra, ele para de avaliar o seu serviço e passa a avaliar você.
  • Pressão vira raiva, não decisão: Stephen Rains publicou em 2013, na revista Human Communication Research, uma meta-análise sobre reactância psicológica reunindo vinte estudos e quase cinquenta e cinco mil participantes. A raiva aparece ali como o melhor indicador do fenômeno. Quando a pessoa sente a liberdade de escolha sendo apertada, o que sobe nela é irritação, e irritação não assina nada.
  • Degrau pulado perde a força: eu falo isso em aula toda vez. Se você chega direto no pedido, a pessoa olha para você e não ouve direito. Ela ainda está dois degraus abaixo, e você já está cobrando a resposta do topo.
  • O buraco quase nunca é o seu ofício: quem me procura por causa de venda costuma ser bom tecnicamente. O serviço é bom, a entrega é boa, e mesmo assim a conversa não anda. Sobre esse incômodo específico eu escrevi separado, em não sei vender.

Nenhum desses quatro se resolve com uma técnica de fechamento melhor.

O preço de continuar empurrando

A conta de forçar chega, só que picada em pedaços pequenos:

  • O cliente some depois de uma conversa boa, e você nunca descobre onde virou.
  • O "vou pensar" vira padrão, e você aprende a ouvir isso como fracasso pessoal.
  • Você baixa o valor do trabalho para vencer pelo preço, porque não venceu pela conversa.
  • Você começa a evitar a hora de oferecer, e evitar é o jeito mais certo de nunca melhorar nisso.
  • E o pior: gente com metade do seu preparo ocupa a cadeira que seria sua, porque conversa melhor do que você.

Nada disso aparece em relatório. Aparece no fim do mês.

A ordem das frases decide o fechamento

  • Fale do problema dele antes de falar do que você faz. Essa é a inversão que muda tudo. Enquanto você descreve o seu serviço, o cliente está sozinho com a dor dele.
  • Use as palavras dele, não as suas. Se ele disse cansado, você diz cansado. Traduzir para o seu vocabulário técnico é a forma mais rápida de ele sentir que não foi entendido.
  • Ligue a ação dele ao que ele já quer. Isso tem nome dentro da PNL, vínculo causal, e vive dentro da linguagem ericksoniana, o modelo de comunicação que Milton Erickson desenvolveu e que a formação trabalha inteiro. A ideia é ligar a decisão que está na mesa àquilo que a pessoa já protege, em vez de ligar a decisão ao seu interesse.
  • Não pule degraus. Um movimento isolado é fraco. O que funciona é a conversa inteira caminhando, e é por isso que fechar sem forçar se parece muito mais com conduzir do que com convencer. Se você nunca olhou o primeiro degrau de perto, comece por rapport, a conexão antes das palavras.
  • Só conduza para onde você mesmo iria. Essa é a linha, e ela não é enfeite. A mesma frase que ajuda alguém a decidir uma coisa boa serve para empurrar alguém para uma coisa ruim. A diferença não está na técnica, está em você. Se o seu serviço não resolve o problema daquela pessoa, a conversa certa é dizer isso.
  • Espere a pergunta em vez de forçá-la. Quando a condução funciona, é o cliente que pergunta quanto custa. E quando ele pergunta, a resposta é direta, sem rodeio e sem pedir desculpa pelo próprio trabalho. Se mesmo assim ele pedir para consultar outra pessoa, tem um artigo inteiro sobre isso em quando o cliente diz que vai falar com o marido.
Antes de propor

Um movimento só: devolva a dor antes de propor

No seu próximo atendimento, antes de falar qualquer coisa sobre o que você faz, devolva em voz alta o problema da pessoa nas palavras dela. Uma frase, no máximo duas. Sem acrescentar a sua leitura, sem emendar a sua solução na sequência, sem "então o que eu faço é". Você só devolve e cala a boca.

Agora repare no que acontece nos três segundos seguintes. Costuma mudar alguma coisa na respiração, nos ombros ou no ritmo da fala. Muita gente responde começando com "isso" ou "exatamente". Anote o que você viu. Esse é o sinal de que a pessoa saiu da defesa, e é a partir dali que uma conversa de fechamento fica possível.

Fechar sem forçar é uma das conversas do pilar Influência. As outras estão lá.

Ver os artigos de influência

Conduza em vez de empurrar

Você não precisa virar outra pessoa para vender o que você faz.

O Rodrigo não virou. Continuou o mesmo profissional de sempre. A única coisa que mudou foi a ordem das frases dentro de uma conversa que ele já teria de qualquer jeito.

E o intervalo entre aprender e usar foi de horas, não de anos. Essa é a parte que ninguém acredita até acontecer com a própria boca.

Você usa antes de saber o nome.

Então é assim que se fecha contrato sem forçar: você para de empurrar e começa a conduzir. Escolha o próximo atendimento. Devolva a dor primeiro. Cale a boca e olhe.

Continue explorando

Ver todos de Influência
Capa do artigo: Por que meu cliente esfria depois da reunião
Influência

Por que meu cliente esfria depois da reunião

Na maioria das vezes o cliente não esfriou no fim. Ele nunca esquentou, porque o argumento que você escolheu encantou você, e não ele.

Capa do artigo: Como falar com filho que não obedece sem brigar
Influência

Como falar com filho que não obedece sem brigar

Duas mães montaram, na frente da turma, a frase que iam dizer em casa. Nenhuma das duas levantou a voz: o que mudou foi a forma da frase.

Capa do artigo: Cliente diz que vai falar com o marido? Já é tarde
Influência

Cliente diz que vai falar com o marido? Já é tarde

A frase chega no fim da conversa e parece educação. Na prática, é o fim da venda. A objeção não se responde na hora: ela se desmonta antes de nascer.

Capa do artigo: Como chamar a atenção sem levantar a voz
Influência

Como chamar a atenção sem levantar a voz

Numa aula online no meio da tarde, eu avisei que ia ancorar a sala e, dois minutos depois, quase todo mundo estava olhando para mim. Sem gritar uma vez.

Entrar em contato