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Como elogiar alguém: troque o parabéns por um fato

Por Victor Reis · 6 min de leitura

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Foto: cottonbro studio · Pexels

Você diz "mandou bem". A pessoa sorri por meio segundo, agradece e segue o dia. Na semana seguinte, nem lembra.

Às vezes é pior: ela desconfia. Fica pensando no que você quer em troca, ou acha que você fala isso para todo mundo.

Quem procura como elogiar alguém pelo trabalho normalmente já percebeu esse problema. O elogio sai sincero da sua boca e chega fraco do outro lado.

Quase sempre, o que falha é o jeito da frase. A sinceridade estava lá, e o fato que mostraria isso ficou de fora.

Apontar o fato no lugar da opinião é linguagem que se treina, com prática, na formação em PNL.

Conhecer a formação

Elogio genérico escorrega

"Mandou bem", "você é ótimo", "parabéns pelo trabalho". Todas essas frases têm uma coisa em comum: são uma opinião sua sobre a pessoa.

Opinião a gente aceita ou recusa. E quem ouve um elogio genérico tem os dois caminhos abertos.

Pode achar que é verdade. Pode achar que é educação, estratégia ou exagero.

Elogio pelo trabalho pesa quando aponta um fato

Existe um jeito de elogiar que fecha essas duas portas. Em vez de dar a sua opinião, você aponta um fato e pergunta se a pessoa já reparou nele.

Compare as duas frases.

"Você está mandando bem nas reuniões."

"Você já percebeu que, nas duas últimas reuniões, foi você quem destravou a pauta?"

A primeira é um julgamento, e dá para discutir. A segunda trata o fato como coisa que já aconteceu e pergunta outra coisa: se a pessoa se deu conta.

Na PNL, verbos como perceber, notar, reparar e estar ciente têm nome: predicados de conscientização.

Na aula sobre eles, eu explico assim: "Quando você usa esses verbos, pressupõe tudo que vem depois. A única questão é se a pessoa está consciente disso. Não se aconteceu."

O exemplo que eu dei na aula foi este: "Você notou como fica mais fácil depois da primeira tentativa?" E completo: "Eu já estou pressupondo que ficou mais fácil. A pessoa só não tinha notado."

Ninguém discute se destravou a pauta. A pessoa vai direto para a memória procurar a reunião. E, quando acha, a conclusão de que fez um bom trabalho é dela, não sua.

A pergunta tem um efeito que a afirmação não tem: obriga a procurar. E o que a gente encontra sozinho, a gente não discute.

Elogio sem fato pede que acreditem em você. Com o fato, a pessoa vê sozinha.

Imagine um líder com alguém quieto na equipe

Pense num líder que tem na equipe uma pessoa discreta, competente, que nunca aparece. Ele quer reconhecer, e o "parabéns pelo trabalho" de sempre não pega.

Agora troque o parabéns por uma frase: "Você já notou que, desde que você assumiu o atendimento, ninguém mais reclamou de prazo?"

A frase não precisa de adjetivo nenhum. Ela coloca na frente da pessoa um fato que existia e que ela nunca tinha somado.

Em casa, vale o mesmo. "Você já reparou que essa semana você arrumou a mochila sozinho três dias seguidos?" chega muito mais longe do que um "muito bem" solto, porque a criança consegue se ver fazendo.

Elogio que não aponta nada vira ruído

O elogio genérico tem um custo que demora a aparecer. Quando tudo é "top", nada é. A pessoa aprende que o seu elogio é um jeito educado de encerrar a conversa, e para de prestar atenção nele.

No trabalho, isso cobra caro de quem mais merece. A pessoa discreta e competente, aquela que resolve sem fazer barulho, ouve o mesmo "parabéns, pessoal" que o time inteiro ouve. Ninguém nunca apontou o que ela faz de diferente.

E tem o custo do aprendizado. Elogio que não diz o que foi bom não ensina nada. A pessoa até se sente bem, mas não sabe o que repetir amanhã.

O elogio genérico entrega o significado e esconde o fato

Aqui entra um termo que eu uso muito: fato e significado. Fato é o que uma câmera filmaria. Significado é o que alguém pendura em cima.

O elogio genérico entrega só o significado, "você é ótimo", sem o fato. O outro precisa acreditar na sua palavra.

Troque "arrasou nas vendas" por "você já reparou que os três clientes que fecharam este mês foram os que você visitou duas vezes?". A primeira frase é uma opinião. A segunda é uma descoberta.

O elogio com verbo de consciência entrega o fato e deixa o significado para a pessoa montar. E conclusão que a pessoa monta sozinha pesa mais do que qualquer opinião que você dê. @@cta Mais textos sobre o que uma palavra faz na cabeça de quem ouve. | Ler o pilar Influência | /blog#influencia

Só funciona com o que é verdade

Essa ferramenta tem um limite, e ele é inegociável. Na aula, eu digo que linguagem ericksoniana é direcionamento de pensamento: você faz a pessoa focar num ponto. Por isso mesmo ela serve para acender a luz em cima do que existe, nunca para inventar o que não existe.

"Você já percebeu o quanto você evoluiu?" só cabe se houver evolução real para apontar. Sem o fato, a frase deixa de ser reconhecimento e vira manipulação, e a pessoa percebe mais cedo ou mais tarde.

Vale para colega, cliente, filho e para você mesmo: frase montada em cima de fato inventado desmonta na primeira vez que a pessoa for procurar a lembrança e não encontrar.

E a frase precisa de conexão antes. Dita por alguém com quem não existe confiança, a construção mais elegante do mundo soa como técnica. Quando o problema é outro, e você precisa que alguém mude uma decisão, o caminho é diferente, e está em como convencer alguém a mudar de ideia.

Uma frase, uma pessoa

Troque o parabéns por um "você já reparou"

Escolha alguém que você acompanha de perto e um progresso real dessa pessoa, daqueles que existem de verdade e que ela mesma ainda não somou.

Hoje, em vez de elogiar, monte a frase com um verbo de consciência: "você já reparou que..." e o fato, com o máximo de detalhe que uma câmera registraria. Fale e fique em silêncio.

Depois repare numa coisa só: a primeira coisa que a pessoa responde. Ela mostra onde estava a atenção dela antes de você perguntar, e isso é a informação mais valiosa da conversa.

Se a resposta for "nem tinha reparado", você acabou de dar a ela uma coisa que ela não tinha.

Aponte, e deixe a conclusão com o outro

Na formação em PNL, os predicados de conscientização fazem parte da aula de pressuposições e linguagem ericksoniana, com muita prática: cada aluno monta as próprias frases e manda para a turma ver. Se quiser ver outra peça do mesmo mecanismo, leia sobre a palavra de abertura que faz você aceitar o resto da frase.

Para saber como elogiar alguém, procure primeiro o fato certo. As palavras bonitas vêm depois, se vierem.

A pessoa vai se elogiar sozinha, e desse elogio ela não esquece.

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