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Como definir metas que você realmente cumpre

Por Victor Reis · 6 min de leitura

Capa do artigo: Como definir metas que você realmente cumpre

Foto: Kristin Hardwick · CC0 (Openverse)

Você escreve a meta no começo do ano, repete a frase por meses, e em dezembro olha para trás com aquela cara de "não era bem isso".

Quando o assunto é como definir metas, eu gosto de responder com um exemplo que dei numa aula sobre objetivos.

Imagine que alguém chega para mim e diz: "o meu objetivo é ganhar mais dinheiro." Eu topo ajudar. E, no fim da sessão, eu dou cem reais para essa pessoa.

"Pronto, eu te ajudei a ganhar mais dinheiro. Eu te dei mais dinheiro agora."

"Ah, Victor, mas não era isso que eu tava dizendo."

"Não, calma aí. Você não falou exatamente para mim o que você queria. O cérebro precisa de especificidade."

Esse exemplo resume o problema de quase toda meta que não sai do papel.

A formação treina as perguntas que transformam um desejo solto em objetivo que se executa.

Conhecer a formação

A sua mente cumpre ao pé da letra

O exemplo do dinheiro na mão funciona porque todo mundo já foi a pessoa da cena.

Você diz que quer crescer. Que quer mais tempo. Que quer estar melhor no ano que vem.

O ano passa, alguma coisa até acontece, e o resultado não bate com o que você imaginava. Não era bem isso porque você não pediu bem isso.

A sua mente não tem má vontade: tem literalidade. Pega a frase que você repetiu, procura o jeito mais barato de cumprir aquela frase e entrega.

Pedido grande e genérico volta como entrega pequena e sem forma, e a mente ainda te olha com a consciência tranquila: você pediu mais dinheiro, ganhou mais dinheiro.

Na mesma aula, eu disse assim: "Quanto mais específico, melhor a clareza que eu vou ter para determinar as ações e aprendizados que eu preciso ter."

O cérebro precisa de especificidade.

Meta de vendas pede endereço, não vontade

Pense num vendedor que fecha o mês sempre no limite da meta. É bom de conversa, conhece o produto, não tem medo de telefone. Se você perguntar o objetivo dele, ele responde: vender mais.

Imagine que ele passe o ano inteiro com essa frase na cabeça. Ele vende mais: uma unidade a mais por mês, talvez duas. Cumpriu.

Agora imagine a mesma vontade dita de outro jeito: fechar cinco contratos novos por mês, com clientes que nunca compraram dele, pedindo indicação no fim de toda reunião.

A vontade é a mesma. Mas a segunda versão diz o que fazer na terça de manhã, e a primeira não diz nada.

É isso que eu chamo de endereço, não vontade. Vontade você já tem de sobra. O que falta é um endereço que diga para onde ir amanhã cedo, a que horas e fazendo o quê.

Na mesma aula sobre objetivos, eu disse de outro jeito: "Quanto mais detalhes eu colocar, mais clareza a minha mente tem e mais fácil de fazer a ação se torna."

A pesquisa chegou no mesmo lugar por outro caminho. Em 2006, os pesquisadores Peter Gollwitzer e Paschal Sheeran reuniram 94 testes independentes sobre planos que dizem de antemão quando, onde e como a pessoa vai agir. O efeito desses planos sobre alcançar o objetivo foi de médio a grande.

Traduzindo: "vou correr mais" fica esperando a vontade aparecer. "Terça e quinta, às sete, saio pela porta de tênis" já sabe a hora.

Entre as duas frases, a força de vontade é a mesma. Muda o endereço.

Mais textos sobre direção, decisão e o que destrava a ação.

Ler o pilar Propósito

O que você não quer não serve de destino

Tem um jeito de pedir errado que é mais silencioso que os outros. A pessoa sabe descrever com riqueza tudo o que a incomoda e não consegue dizer uma frase sobre o que quer.

Numa aula, eu resumi assim: "Ele sabe tudo que ele não quer, mas ele não sabe nada do que ele quer."

Sair do emprego ruim, do relacionamento ruim, da rotina ruim: isso é ponto de partida, não destino. Quem só sabe do que foge costuma trocar uma coisa ruim por outra coisa ruim, porque qualquer lugar serve para quem só quer sair de onde está.

O mesmo vale para a palavra bonita no lugar do comportamento: "disciplina", "equilíbrio", "organização". São nomes do que você faria se já tivesse o que procura, e nome não se executa.

Enquanto a palavra não virar uma ação que alguém consiga ver, não há o que cumprir.

Na PNL, a boa formulação de objetivos tem sete condições para separar um "quero" que evapora de um objetivo que se cumpre. A especificidade é uma delas, e é por ela que quase todo mundo tropeça primeiro.

Meta genérica não quebra, ela cansa

"Uma estrutura de pensamento fraca, eh, ela gera um potencial fraco de ação." A frase é de uma aula minha, e eu não tenho jeito melhor de dizer.

Meta genérica gasta você devagar: muito esforço, pouca prova de avanço e a sensação de que o problema é falta de foco.

E ela sempre tem para onde fugir. Na mesma aula, eu brinquei com a desculpa mais usada de todas: "Semana que vem não, ela sempre existe, sempre tem semana que vem."

Quem oscila demais entre objetivos e não termina o que começa quase sempre não tem clareza do que está pedindo. A pessoa acha que o problema dela é foco, e o problema dela é endereço.

Se a trava for uma frase que você repete sobre si mesmo, e não o desenho da meta, o trabalho é outro: como identificar crenças limitantes.

Um teste só

O teste do pé da letra

Escreva num papel, do jeito torto que ela sai da sua cabeça, a meta que você vem repetindo há meses. Uma linha só.

Agora leia de novo fingindo que você é a pessoa mais preguiçosa do mundo, e que a sua única obrigação é cumprir aquela frase exatamente como está escrita, gastando o mínimo possível. Escreva embaixo qual seria a entrega mais pobre que ainda assim cumpre o que você pediu.

Depois olhe para as duas linhas juntas e repare no incômodo que sobe. Esse incômodo é a distância entre o que você pediu e o que você quer.

Muita gente descobre ali que vem cobrando de si mesma uma coisa que nunca chegou a pedir direito.

Peça direito, ou continue recebendo cem reais

Na formação em PNL, a boa formulação de objetivos é uma das primeiras aulas do ciclo online. Cada aluno escreve o próprio objetivo pelas sete condições, e a turma aponta a pergunta que ainda falta. Quando a meta já está bem desenhada e o automático ainda te puxa para o sofá, vale ler sobre como sair do piloto automático.

Você provavelmente não precisa de mais motivação. Precisa de um pedido que a sua própria mente consiga cumprir sem te decepcionar.

Saber como definir metas é parar de mandar recado e começar a dar endereço.

Senão, a mente continua fazendo o que fez no exemplo: entrega cem reais e fica esperando o agradecimento.

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