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Como é um curso de PNL: dez falas do fim do Dia 1

Por Victor Reis · 8 min de leitura

Capa do artigo: Como é um curso de PNL: dez falas do fim do Dia 1

Foto: RDNE Stock project · Pexels

Quem quer saber como é um curso de PNL quase sempre imagina uma sala de palestra, luz baixa, alguém falando bonito lá na frente. Não é isso. No fim do primeiro dia de uma turma do presencial, depois de horas de prática, eu fiz o que faço em toda turma: parei o conteúdo e devolvi a palavra.

A frase foi essa, literal: "Para a gente finalizar o dia, eu quero saber o maior aprendizado do dia para você, o que você mais gostou, o que você tem de feedback para a gente melhorar durante os próximos dias."

Repare que eu não perguntei se gostaram. Não perguntei se foi bom. Perguntei o que aprenderam, e o que precisa melhorar.

Aí veio o silêncio de três segundos que sempre vem. E depois veio a roda.

Quer saber se essa sala faz sentido para o seu momento? Conte à equipe onde você está e saia com o seu ponto de partida.

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Como é um curso de PNL por dentro: o que a sala diz quando ninguém dirige a pergunta

O que vem abaixo, página nenhuma da internet mostra: dez falas de dez pessoas diferentes, no mesmo fim de tarde, na mesma sala. Ninguém foi chamado pelo nome para dizer nada específico. Ninguém tinha roteiro. A pergunta foi aberta.

Primeiro as dez, em fila, sem comentário no meio. O que elas têm em comum vem depois. Cada uma entra pelo que a pessoa faz, nunca por quem a pessoa é.

As dez falas, na ordem em que saíram

Uma aluna, sobre o exercício em que eu trabalhei com ela: "você conseguiu fazer uma amnésia. Quase uma amnésia. Você apagou uma memória." Ela mesma explica em seguida que precisou forçar para lembrar da imagem ruim, e que a imagem boa vinha na hora. É a percepção dela sobre o que sentiu naquele dia, com a palavra dela.

Um aluno que treina pesado na academia: "você tem meio que o poder de mudar o pensamento ali da pessoa na hora."

Um aluno que trabalhou o próprio hábito de celular: "O quanto eu tava me torturando fazendo algo que não fazia sentido e rapidinho mudou."

Um aluno que aplicou o exercício em outra pessoa no mesmo dia, sobre o hábito de beliscar comida: "Melhorou. Agora ela percebe e consegue ter mais conforto."

Outro, sobre o que mais valeu: "Eu gosto muito da percepção de si mesmo. Porque você está no automático, você não percebe o quão destrutivo aquele ato é."

Outro ainda, quando a ficha caiu: "cara, o hábito que é frequente e natural, ele pode ser mudado. Não é algo limitante."

Uma aluna que faz os dois formatos, o online e o presencial, citando o pressuposto que mais bateu nela: "O significado da comunicação é o resultado que se obtém. Ou seja, o erro da comunicação é do comunicador. Isso foi o que bateu em mim demais."

Um aluno que se reconheceu numa coisa nada confortável: ele percebeu que, enquanto a outra pessoa fala, ele já está formulando a resposta. Ele não escuta. Ele espera a vez.

Um aluno que trabalha com outras culturas: "A gente é treinado a olhar a cultura como coletivo. A gente tem que começar a olhar mais o indivíduo, né?"

E o último, que resume o dia inteiro em doze palavras: "eu já entendia, só que eu não sabia aplicar."

O que essas dez falas têm em comum

Nenhuma delas é sobre emoção. Nenhuma é sobre motivação. Todas são sobre uma coisa que a pessoa fez, ou percebeu fazendo, naquele mesmo dia.

Essa última, a das doze palavras, é o abismo entre saber e usar. Ela tem artigo próprio, e eu não vou repetir o argumento aqui: está em tenho o curso mas não sei aplicar.

Só existe real aprendizado quando você pratica aquilo que está aprendendo.

A formação em PNL Nível 1 junta o acompanhamento online semanal e os quatro dias de presencial na mesma contratação.

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Os cinco movimentos de um dia de curso

Se você tirar o conteúdo e olhar só o formato, o dia tem cinco movimentos. É sempre assim, em qualquer turma.

  • Pergunta de abertura: o dia começa com uma pergunta para a sala, não com um slide. Naquele dia foi sobre comportamento compulsivo, e as respostas vieram soltas: comer demais e não conseguir parar, não sair do celular, roer unha.
  • Demonstração ao vivo: eu aplico a ferramenta em alguém, na frente de todo mundo, sem edição. Dá certo diante da sala, ou não dá, e a gente conversa sobre o que aconteceu.
  • Prática em dupla: a sala inteira faz. Poucos minutos para cada um, instrução simples, sem nota, sem plateia. É aqui que a pessoa descobre que sabia explicar e não sabia conduzir.
  • Aplicação fora da sala: no intervalo e à noite, alguém aplica em alguém de casa, do trabalho, do carro por aplicativo. No dia seguinte, conta.
  • Roda de fechamento: a que você acabou de ler. Aprendizado do dia e o que precisa melhorar, um por um.

Repare no desenho: o aprendizado só é contabilizado depois que virou ação. É essa a estrutura que responde a pergunta de quem quer saber o que se aprende em PNL. Você não aprende um conceito. Você aprende um procedimento, e prova que aprendeu usando.

O que você só ouviu escorre em horas

Quando o curso para no entendimento, a memória joga contra você.

Em 2015, Jaap Murre e Joeri Dros publicaram na revista PLOS ONE uma replicação da clássica curva do esquecimento de Ebbinghaus. O achado é duro e conhecido: a maior perda do que foi aprendido acontece logo, nas primeiras horas e no primeiro dia.

Ou seja: o conteúdo que você só ouviu já está escorrendo enquanto você dirige de volta para casa.

Tem mais. Em 2006, Henry Roediger e Jeffrey Karpicke publicaram na Psychological Science um dos trabalhos mais citados sobre memória: quem foi testado sobre o material, tendo que puxar a informação da própria cabeça, lembrava mais uma semana depois do que quem simplesmente releu o mesmo material o mesmo número de vezes.

E, em 2014, uma meta-análise assinada por Scott Freeman e colegas, publicada na PNAS, juntou 225 estudos de cursos universitários de ciências e comparou salas expositivas com salas que praticam durante a aula. A taxa de reprovação nas salas só expositivas foi 55% maior.

Então, quando alguém pergunta se isso não é coisa de palestra motivacional, quem responde é a diferença entre uma sala que ouve e uma sala que faz:

  • Sala que ouve produz concordância. Você sai achando bonito.
  • Sala que faz produz repertório. Você sai tendo feito, e o corpo lembra.
  • Sala que ouve entrega estalo. Estalo sozinho evapora.
  • Sala que faz entrega procedimento. Procedimento você repete amanhã.

Cinco critérios antes de escolher a sua formação

Se você está escolhendo, use estes cinco critérios. Eles valem para qualquer casa, inclusive a minha.

  • Peça o desenho do dia. Quantos minutos de exposição e quantos de prática? Se ninguém souber responder, já respondeu.
  • Pergunte quem faz a demonstração. Demonstração ao vivo, com gente da sala, sem edição, é diferente de vídeo pronto.
  • Procure a dupla. Se você não pratica em outra pessoa dentro da sala, você vai sair sabendo descrever a ferramenta e não sabendo conduzir.
  • Olhe o tamanho da sala. Turma grande não comporta correção individual. Turma pequena comporta, e é por isso que eu trabalho com turmas pequenas.
  • Cheque o que vem depois. O buraco de todo treinamento fica entre a última hora de aula e a primeira vez que a pessoa aplica sozinha. Pergunte como a casa fecha esse buraco.

O significado da comunicação é a resposta que você obtém.

Treino de escuta

Devolva a frase, nas palavras dela

Você não precisa esperar uma sala para começar a treinar percepção. Na primeira conversa que aparecer hoje, sem importância nenhuma, repare numa coisa só: se, enquanto o outro fala, você já está montando o que vai dizer. Quando notar isso, solte a resposta e devolva uma frase da pessoa como pergunta, com as palavras dela e não com a sua versão delas: "você disse que estava se torturando?".

Depois repare no que ela faz. Quase sempre a pessoa para, respira e conta a parte que ainda não tinha contado. Essa pausa é a coisa toda: é a diferença entre escutar para responder e escutar para entender, e ela aparece no primeiro dia.

Leve os cinco critérios lá de cima para a equipe e veja como a formação responde a cada um.

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O dia termina com você falando

Se você chegou até aqui procurando saber como é um curso de PNL, a resposta é esta: é uma sala em que quem fala no fim do dia é você, e não quem ensina.

Se quiser entender melhor as duas ferramentas que mais aparecem nessas falas, comece por ajustar o peso de uma lembrança e por quebrar o padrão automático.

O que você leu lá em cima não foi escrito por mim. Foram dez pessoas dizendo, cada uma do seu jeito, que perceberam alguma coisa em si mesmas e fizeram alguma coisa com isso no mesmo dia.

Todas falaram em prática.

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